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Seminário | Existirá mesmo uma emergência climática?

Seminário | Existirá mesmo uma emergência climática?

ISEL | Auditório A, 26 / Jun / 19 às 14:00

Ricardo Trigo
Instituto Dom Luiz, IDL Faculdade de Ciências, Universidade de Lisboa


O aquecimento do sistema climático é inequívoco e muitas das mudanças observadas desde a década de 1950 não têm precedentes no último milénio. A maior parte do aquecimento global desde 1880 ocorreu nos últimos 35 anos, sendo de realçar que 16 dos 17 anos mais quentes registrados ocorreram desde 2001. O aquecimento do oceano domina o aumento da energia armazenada no sistema climático, representando mais de 90% da energia acumulada entre 1971 e 2010. Nas últimas décadas, as vastas extensões de gelo da Gronelândia e da Antártida têm vindo a perder massa de uma forma crescente. De igual modo, a massa total dos glaciares tem vindo a diminuir em quase todo o mundo de forma significativa, bem como a cobertura de neve do Hemisfério Norte e de gelo na região Ártica. A influência humana sobre o clima é inequívoca, resultando em grande medida das emissões de gases com efeito de estufa (GEE) produzidas pelas atividades humanas, que incluem atividades industriais, a queima de combustíveis fósseis, o uso de fertilizantes e a desflorestação. A verificar-se a continuidade das emissões de GEE, estes causarão um aquecimento ainda mais acentuado no futuro, com efeitos de longa duração em todos os componentes do sistema climático. O aquecimento da atmosfera e dos oceanos e a elevação do nível do mar persistirão por vários séculos, tal sucedendo mesmo se a emissão de GEE cessasse de imediato devido ao longo tempo de residência na atmosfera de alguns desses gases, aos mecanismos climáticos de realimentação (feedback) e às escalas temporais mais lentas com que muitos dos efeitos se produzem no sistema Terra.