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Entrevista a Luís Miguel Lopes, alumnus do ISEL e engenheiro na Microsoft

Entrevista a Luís Miguel Lopes, alumnus do ISEL e engenheiro na Microsoft

Notícia escrita em 03/06/2019

 

Aos 45 anos e após licenciar-se em Engenharia Informática e Computadores pelo ISEL, em 2012, Luís Miguel Lopes é Support Escalation Engineer na multinacional norte-americana Microsoft. Tirou o curso em regime pós-laboral, sendo um adepto da computação concorrente e subscritor do Agile Manifesto. Alerta para a importância das plataformas Cloud, Big Data, computação distribuída, Internet of Things ou containers, todos eles decisivos para moldar o futuro. 

Pergunta: Na sua opinião, qual é a grande diferença na frequência de um curso em regime pós-laboral no ISEL? 

Luís Miguel Lopes (LML): Trabalhar e estudar simultaneamente é como viver duas vidas no tempo de uma só, é chegar ao final da tarde e colocar de lado os temas do trabalho e dirigir o foco para as aulas. O facto de já ter experiência em muitos dos temas ajudou a que algumas cadeiras fossem feitas com mais facilidade mas ainda assim foi um período bastante intenso mas extremamente recompensador. 

P: Trabalhou em empresas portuguesas antes de se mudar para a Microsoft. Qual é a grande diferença em termos de metodologias trabalhar para um empresa como a Luís Simões ou uma grande multinacional como a Microsoft? 

LML: Cada empresa é um mundo diferente e a capacidade de adaptação é crucial para a integração, progresso e bem-estar. Recordo a minha passagem pelo Grupo Luís Simões como um dos períodos de maior crescimento individual e profissional, embora já tenham passados quase vinte anos mantenho grandes amizades com antigos colegas. Era na altura um ambiente quase familiar e tão depressa poderia estar embrenhado na procura de uma solução como poderia estar a discutir as alternativas com os administradores. Trabalhar na Microsoft é colaborar numa das organizações mais influentes a nível mundial nos últimos quarenta anos de evolução tecnológica, é contactar diariamente com clientes de dimensão mundial e ter impacto em soluções que afetam ou são utilizadas por milhões de pessoas. É sentir que estamos a moldar o futuro. 

P: Quais as relações que a Microsoft mantém hoje com o ISEL? Há mais ex-estudantes do ISEL a trabalhar consigo? 

LML: Sei que existem algumas parcerias com o ISEL e é comum a Microsoft participar em eventos conjuntos. Existem bastantes colegas formados no ISEL, alguns deles foram mesmo colegas de estudo no ISEL. 

P: Começou a trabalhar e ainda não havia frequentado o ensino superior. Qual foi o grande ganho que sentiu por ter frequentado o curso de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores? 

LML: Quando terminei o ensino secundário não continuei para o ensino superior por impedimentos pessoais e familiares, mas foi algo que ficou sempre como meta a atingir. Ter frequentado o curso já com experiência permitiu uma visão diferente sobre as matérias, talvez mais crítica e com vontade de aprofundar cada tema. Foi muito recompensador, aprendi muito, discussões afincadas com professores e outros alunos sobre os mais variados temas e amizades que ficam.

P: Que sugestão daria ao Conselho Científico do ISEL para ajustar os currículos ao que é a prática e necessidades empresariais? 

LML: As plataformas cloud estão em forte crescimento e existe défice de mão-de-obra qualificada, em particular com conhecimento nos novos paradigmas da computação na cloud. O foco em temas como Big Data, computação distribuída, Internet of Things ou containers são muito procurados nesta nova era.

P: Na sua apresentação fala muito em computação concorrente. É um dos seus temas. É importante dominá-lo no mundo de hoje?  

LML: A computação concorrente coloca desafios muito interessantes, tanto em tempo de desenho como no suporte onde diariamente ajudamos clientes em tarefas de debug. Atualmente, tanto nas potentes plataformas Web como nos dispositivos mais pequenos temos disponíveis equipamentos com múltiplos processadores ou núcleos, saber construir sistemas com paralelismo permite-nos explorar o potencial das plataformas. 

P: De que trata o Agile Manifesto, de que é subscritor? 

LML: O Agile Manifesto é uma declaração criada em 2001 por um conjunto de engenheiros de software com o objetivo de melhorar a forma de criar soluções informáticas. O manifesto acaba por ser um conjunto simples de declarações onde se distingue entre o que é essencial e o que é acessório nos projetos de software. Há uns anos tive a oportunidade de participar numa formação com um dos fundadores, o senhor Jeff Sutherland, também co-autor da metodologia SCRUM. Foi, até hoje, a formação mais marcante a que assisti. 

P: Que conselhos daria a um estudante do ISEL que quisesse ter uma carreira internacional numa grande multinacional como a Microsoft, por exemplo?

LML: Seja numa multinacional ou em qualquer outro lugar, sou da opinião de dar sempre o melhor mesmo que não estejamos a ser reconhecidos como tal. Quando assim é estamos a sobressair no meio da multidão e as oportunidades vão aparecer, mais cedo ou mais tarde. E, quando aparecerem, os que estão mais bem preparados e que todos os dias chegam um pouco mais longe e aprendem mais um pouco estão na linha da frente.