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Entrevista a Rute Lopes: "Ser estudante de engenharia é um privilégio!”

Entrevista a Rute Lopes: "Ser estudante de engenharia é um privilégio!”

Notícia escrita em 20/03/2019

 

Formada em Engenharia Eletrotécnica pelo ISEL, Rute Lopes* levou para a Siemens todas as competências adquiridas na faculdade. E ainda se lembra do cadeirão que representou para si Equações Diferenciais… Além do conhecimento técnico sólido, alerta para o papel decisivo que um cérebro técnica e emocionalmente treinado pode ter numa carreira profissional. A lógica não chega: entre uma equação resolvida e outra ainda mais complexa por resolver, a resiliência e a determinação de um engenheiro podem fazer toda a diferença, acredita a actual gestora de projectos de Alta e Muito Alta Tensão da Siemens em Portugal e Moçambique e embaixadora da multinacional alemã no ISEL. 

1- Quais as melhores memórias que guarda dos seus tempos de ISEL?

Curiosamente, e pensando nesta pergunta as memórias que me vêm de imediato à cabeça, são bem diferentes daquelas que um dia enquanto estudante pensei que recordaria do ISEL.

Sem dúvida, que ficaram muitas e boas memórias de episódios com alguns colegas e professores, pois a experiência académica, é sem dúvida algo que nos deixa muitas memórias, acrescenta-nos muito não só como Engenheiros mas principalmente marca-nos enquanto pessoas.

Mas escolhendo apenas um único momento, sem duvida que escolho o momento da discussão da minha tese. Devido a factores profissionais, a tese foi sempre algo que fui deixando para trás e infelizmente demorei algum tempo para finalizar. Estava muito, muito nervosa mas aí, foi sem dúvida o culminar todo o meu precurso académico, o fechar de uma etapa e por isso uma memória muito especial. 

2- Qual era, na sua época, o grande "cadeirão" da instituição?

Considero que 90% das cadeiras do curso de eng. Electrotécnica do ISEL, acabam por ser cadeirões.

Digo isto por na grande maioria do curso, este é acompanhado de uma componente prática muito forte, obrigando a uma grande dedicação.No entanto na minha época, entre alunos existiam alguns mitos sobre as cadeiras que nos assustavam mais, como as Electromagnetismo, Controlo de Sistemas, Instalações eléctricas. No meu caso concreto, Equações Diferenciais, representaram o cadeirão, em que o esforço teve de ser triplicado. 

3- Como é que a frequência do ISEL tem ajudado na sua vida profissional?

Como referi anteriormente, a forte componente prática dos cursos do ISEL, acrescentam-nos muitos desafios técnicos mas também desafios nas relações humanas - trabalhar em equipa, a gestão de tempos para entrega de resultados e reacções sobre stress, etc, etc. Naturalmente, é necessário estar disponível para abraçar e aprender com todos estes desafios e assim atingir e saborear as pequenas vitórias. Por isso penso que todos estes desafios técnicos e não técnicos me prepararam com desenvolvimento do meu espirito critico e de destreza para resolução dos problemas. 

4- Mantém contacto com a instituição ou com alguns dos seus ex-alunos e professores?

Como penso ser do V/ conhecimento, a Siemens têm um programa de proximidade com Universidades de todo o pais, naturalmente com um foco especial nas escolas de engenharia. Programa esse que vejo com grande valor de investimento naqueles que serão os nossos engenheiros de amanhã.

Naturalmente, ao assumir a função de embaixadora da SIEMENS no ISEL em 2016, papel que assumo com grande orgulho, tanto como um especial agradecimento pela instituição que me formou, bem como pela gosto por representar a casa que me fez nascer enquanto profissional, permite-me não cortar o cordão umbilical e continuar a manter o contacto com aqueles que foram os meus professores, colegas de curso, e ainda alunos que conheci enquanto embaixadora, alguns actualmente meus colegas na Siemens. 

5- Quais as grandes diferenças entre o mundo académico e o universo empresarial? Como ex-aluna do ISEL, pode relatar-nos a sua experiência pessoal?

O universo empresarial trás uma maior carga de seriedade, compromisso, mas também um especial sabor de missão cumprida quando alcançamos os nossos objectivos.

Enquanto no mundo académico, trabalhamos para nós mesmos e o objetivo primeiro é o nosso sucesso, numa empresa existem números a ser cumpridos, projectos a serem entregues e executados, ou seja todo o nosso trabalho e empenho é para um objectivo e sucesso comum. Estes, que não dependem apenas de nós, mas sim do trabalho de uma ou várias equipa, por isso é essencial que cada um saiba qual o seu papel, a sua missão e integração na equipa que partilhará vitórias mas também os momentos menos bons… 

6- Em que consiste a sua atividade profissional hoje em dia?

Actualmente, assumo funções de Project Manager (Gestora de Projectos) de subestações de Alta e Muito Alta Tensão (de 60 a 400 kV), na Siemens tanto em projectos Nacionais, como em Moçambique.

Numa definição do que é um gestor de projectos, poderia dizer que nesta função, desenvolvo todo o tipo de tarefas para a boa execução de um projecto, considerando um âmbito, valor budget de contrato, e planeamento de prazos bem definidos para o todo do projecto.

No entanto, acredito que a minha actividade prossional é na grande maioria do seu tempo, a gestão de expectativas de todos os meus interlocutores – clientes, fornecedores, chefias, equipas, etc.. 

7- Que conselhos deixaria aos alunos do ISEL?

O conselho que deixo aos futuros engenheiros é que invistam nas suas competências técnicas mas não descurem nunca das suas soft-skills. É tão importante ter um conhecimento técnico sólido, como saber lidar com as diversas emoções e pessoas que passarão pela sua vida académica e profissional.

É muito, muito importante e necessário educar a nosso mindset, para um cérebro bem treinado técnica e emocionalmente falando.

Não esquecendo que um estudante de engenharia vive o seu precurso académico em constante estado de frustração… Aprende a resolver uma equação e de seguida tem outra mais complexa para resolver e assim sucessivamente, ou seja, o momento de alegria e de conquista da entre equações é muito pequeno, mas penso que são estas pequenas vitórias que dão endurance, resiliência e determinação para não desistir e evoluir com sistemas, tecnologia, equipamentos… no fundo ser engenheiro. 

Ser estudante de engenharia, é um privilégio, acreditem.

 

*Rute Fortunato Lopes é formada em Engenheira Electrotécnica no ISEL. Iniciou o seu percurso profissional na Siemens em 2011 como Bid Manager de soluções de transmissão de energia em Alta Tensão. Em 2016, assumiu a função de Project Manager de Subestações de Alta Tensão da Siemens, sendo actualmente responsável por alguns dos projectos chave-na-mão e ampliações em Portugal e Moçambique. É uma das Embaixadoras da SIEMENS no ISEL. Dona de um pensamento lógico, criativo mas também emocional, define-se como uma pessoa alegre, organizada e determinada. É apaixonada por animais, ler e viajar.