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Entrevista ao Presidente do ISEL

Entrevista ao Presidente do ISEL

Notícia escrita em 15/10/2020

No arranque deste ano letivo de 2020/2021 com a conclusão dos 4 anos do mandato da atual direção, o Presidente do ISEL, Prof. Jorge Sousa, em entrevista à newsletter, responde a questões como os desafios deste ciclo, a valorização dos recursos humanos, os investimentos realizados, o funcionamento da Escola Superior de Dança no campus e a relação com o Instituto Politécnico de Lisboa.

 

Quando a atual direção entrou em funções em 2016, quais foram os principais desafios que enfrentou?

Quanto iniciámos funções em maio de 2016 sabíamos que os desafios eram enormes. O ISEL tinha um défice orçamental de 3 milhões de euros ao ano, um corpo docente que tinha sido desvalorizado, uma diminuição continuada do número de alunos com as colocações a não preencherem sequer metade das vagas disponíveis, uma ausência de investimento em infraestruturas de vários anos. Era preciso intervir de forma vigorosa em praticamente todas as áreas. Para inverter essa tendência, e fazê-lo de forma tão rápida como ocorreu, foi necessário um esforço colossal de todos.

 

Em que medida foram ultrapassados os problemas que se colocavam à instituição durante estes 4 anos de mandato?

Acho que em grande medida conseguiu-se ultrapassar a situação crítica que se vivia em 2016. Felizmente, o ISEL está hoje num patamar completamente distinto.

Ao nível financeiro, logo em 2017, foi possível obter um equilíbrio orçamental através de um vasto conjunto de medidas de crescimento da receita e de consolidação da despesa. Com este saneamento financeiro começaram-se a desbloquear várias áreas.  Em relação ao número de alunos, que se encontrava em queda acentuada, desde 2017 conseguimos preencher a totalidade das vagas das licenciaturas no Concurso Nacional de Acesso, sendo mais de 90% das colocações realizadas logo na 1ª fase. Aqui, a diversificação da oferta teve um papel chave com a criação dos novos cursos de Licenciatura em Matemática Aplicada à Tecnologia e à Empresa (LMATE), Licenciatura em Engenharia de Informática, Redes e Telecomunicações (LEIRT) e Licenciatura em Engenharia Biomédica (LEB), cursos que atraem alunos com o perfil que desejamos para o ISEL. Para este objetivo teve também um papel relevante a criação de bolsas de mérito para os novos alunos que ingressam com melhores médias, o forte crescimento da comunicação digital e o incremento significativo da divulgação e promoção dos cursos: semanas abertas, ISEL Open Day, programa Inspiring Future com cobertura geográfica expandida, forte presença na Futurália, programas de verão ISEL Alive, ISEL Energy Week e Ciência Viva e as sessões globais de apresentação dos mestrados.

Sabendo que todas as concretizações são fruto do esforço coletivo, é importante destacar a importância da valorização dos nossos recursos humanos. A este nível, devemos sublinhar a regularização da situação de 28 docentes ao abrigo do regime transitório (Decreto-Lei nº 45/2016 e Lei n.º 65/2017) que consolidaram o seu vínculo à instituição com contrato por tempo indeterminado, a abertura de 11 concursos para recrutamento de professores adjuntos em diversas áreas disciplinares, a regularização extraordinária de vínculos através do programa PREVPAP, a progressão na carreira de docentes e não docentes com base no sistema de avaliação em vigor e, ao abrigo do Decreto-Lei nº. 84/2019, a instrução de 15 concursos para a promoção à categoria de professor coordenador, a maioria dos quais já concluídos. Esta foi, de facto, uma área que mereceu a nossa atenção continuada, desde o primeiro ao último momento, pois acreditamos na importância de valorizar as pessoas, depois de tantos anos de estagnação.

 

Qual foi a receita para resolver os problemas da instituição e colocá-la no caminho do crescimento?

É todo um conjunto de medidas que contribuiu para o sucesso alcançado, pelo que não é fácil indicar uma “receita”. Mas, se tivesse que resumir, eu indicaria a capacidade de planear, executar e comunicar. Em primeiro lugar é preciso pensar com clarividência sobre a realidade existente e este exercício é talvez o mais complexo. Tendemos a pensar sobre a realidade que desejávamos que existisse e que por vezes é muito distinta da realidade que temos presente. Por isso, esta primeira etapa exige uma grande dose de realismo. Depois é preciso executar bem, de forma rigorosa e cooperativa. É muito importante atender aos equilíbrios e compromissos quando se gere uma instituição com a dimensão e a diversidade do ISEL. E esta parte do executar é sempre um processo coletivo, em que cada um contribui para o todo. Depois há que comunicar de forma eficaz, para que a comunidade sinta a evolução da instituição e deseje corresponder de forma ainda mais motivada aos desafios seguintes. Neste domínio em particular foi notável o que se conseguir alcançar. Basta pensar que, há 4 anos atrás, o ISEL não existia nas redes sociais. Depois do impulso do Facebook, hoje com mais de 12 mil seguidores, seguiu-se o Instagram e o LinkedIn. E a publicação semanal da Agenda e as várias edições da Newsletter. É importante referir que vários destes canais são bidirecionais – hoje em dia muitas das questões dos alunos são respondidas através destes canais.

Um outro “ingrediente” fundamental da “receita” é a flexibilidade para ajustar, pois é preciso avançar com consensos alargados, mas sem nunca perder o foco nos grandes objetivos que a instituição tem de atingir, mantendo a coesão do modelo de desenvolvimento em que se acredita.

 

Neste ciclo o ISEL tem realizado um vasto conjunto de investimentos em laboratórios e na requalificação das infraestruturas do campus. Como foi possível financiar e concretizar todo este plano global?

O ISEL está instalado num campus com 61 mil m2 e com uma área útil coberta de 44 mil m2 distribuída por 9 edifícios principais, o que requer um contínuo esforço de manutenção e requalificação. Por outro lado, o modelo de ensino do ISEL, com uma base experimental muito forte, implica investimentos consideráveis em equipamentos e em novos laboratórios que acompanhem as mais recentes evoluções tecnológicas.

Assim, colocou-se desde logo um enorme desafio: como fazer os investimentos necessários após vários anos de estagnação num contexto financeiro altamente deficitário?

O passo determinante passou por identificar fontes de financiamento alternativas para realizar as principais intervenções que se impunham.

Foi assim que se iniciou a elaboração de várias propostas a concursos para obtenção de financiamentos públicos e privados, o que se viria a revelar a chave para a concretização de várias intervenções de fundo.

Um dos projetos mais emblemáticos é o ISELGREEN, iniciado em 2018, contempla a implementação de 11 medidas de eficiência energética no campus do ISEL. Com um financiamento no valor de 1.9 milhões de euros através do programa POSEUR, foi possível realizar a substituição dos 7.000 m2 das coberturas de fibrocimento com amianto dos edifícios E, G e P por painéis sandwich, a instalação de 416 kW de painéis fotovoltaicos para produção de energia elétrica, a substituição das unidades de climatização dos edifícios A e F e dos splits do campus e a instalação de um sistema de monitorização e controlo de energia. Neste âmbito, está ainda em curso a conclusão das restantes medidas como a intervenção exterior no edifício M, a substituição de toda a iluminação interior e exterior para tecnologia LED e a colocação de painéis solares térmicos para aquecimento de água.

Um outro exemplo são os projetos executados ao abrigo do programa Lisboa 2020 que permitiu a criação de novos laboratórios como o LabIT e o Lab4Mat, específicos para apoiar as recentes licenciaturas de LEIRT e LMATE. Também o projeto SAMA2020, com um financiamento de 360 mil euros, está a permitir implementar medidas de desmaterialização e simplificação de processos nas áreas académica, recursos humanos, contabilidade e gestão documental, bem como a interoperabilidade entre as aplicações informáticas, onde se inclui o recente reforço do datacenter do ISEL.

Como exemplos de investimentos em colaboração com empresas parceiras destacaria os laboratórios EDUNET (Phoenix Contact), na área de engenharia eletrotécnica, o laboratório UPONOR, na área de engenharia mecânica, e o Laboratório PharmaLab, financiado pelo programa 9ºW da Hovione, na área da engenharia química, destinado à formação de analistas químicos para a indústria farmacêutica e a outras atividades de formação e de investigação. Com um investimento de 1 milhão de euros, o Pharmalab foi oficialmente inaugurado em março 2018 e encontra-se equipado com as técnicas analíticas de referência na indústria química farmacêutica, nomeadamente HPLC, GC, Karl-Fischer e PSD. Trata-se de um excelente exemplo de captação de financiamento determinante nos domínios do ensino e da investigação.

Numa segunda fase, após a consolidação da situação financeira do ISEL, conseguimos efetuar diversas outras intervenções suportadas por receitas próprias. Grande parte deste financiamento resultou do excelente resultado na recuperação de dívidas e na cobrança eficaz de receitas correntes. Foi assim possível intervir nos edifícios A e F ao nível das impermeabilizações necessárias e nas fachadas, realizar a reabilitação do edifício P com a pintura interior e exterior, a melhoria da rede elétrica para suporte à realização de eventos, a instalação de nova iluminação com tecnologia LED e a reabilitação das caixilharias de todas as janelas e portas de acesso do edifício, efetuar a instalação do sistema de acesso ao campus com cancelas com vídeo porteiro, leitura de cartão, leitura de código QR e identificação automática de matrículas, bem como a intervenção na globalidade das instalações sanitárias do campus.

E noutros âmbitos, como a realização de obras de beneficiação do espaço da Incubadora de Empresas com a contratualização da relação com as empresas instaladas, dotando este espaço com melhores condições de funcionamento e maior atratividade para novos projetos.

 

Como avalia a evolução da ligação da comunidade académica, em particular ao nível dos alunos?

Os alunos são o foco da instituição na sua missão de ensino, por isso foi uma área que mereceu da nossa parte uma atenção muito especial.

Desde logo com a centralização no edifício P dos principais serviços dirigidos aos alunos, onde passou a funcionar a Tesouraria, a par dos Serviços Académicos e o Espaço de Apoio ao Aluno, que entrou em funcionamento logo em outubro de 2016. Anteriormente, a movimentação entre os serviços era confusa e mal sinalizada por isso foi necessário implementar a sinalética do campus com a identificação dos edifícios, a colocação de painel luminoso de destaque da marca ISEL no topo do edifício C, a sinalética exterior e interior dos edifícios.

Em termos de estruturas há que destacar a criação do Espaço de Apoio ao Aluno e a Comissão para o Sucesso Académico (conhecida por CSA). O Espaço de Apoio ao Aluno tem permitido apoiar inúmeros alunos no acesso a bolsas e outros auxílios, alojamento, saídas profissionais e, muito determinante, a Consulta de Psicologia, em funcionamento desde maio de 2017, com grande adesão por parte da comunidade.

A Comissão para o Sucesso Académico foi criada em 2017 com o objetivo central de melhorar o sucesso académico no ISEL e detetar atempadamente situações potencialmente problemáticas, nomeadamente na monitorização da assiduidade e correlação com as unidades curriculares realizadas com sucesso, permitindo intervir de forma precoce e eficaz junto dos alunos em risco de abandono.

Também a formação pedagógica dirigida aos docentes mereceu particular atenção, com a implementação de um programa de seis sessões em 2018/19, no qual a participação dos docentes superou todas as expectativas. No ano letivo de 2019/20 realizaram-se mais quatro sessões, duas presenciais e duas à distância, de uma série de ações neste âmbito cuja escolha de temáticas teve um forte contributo dos participantes.

Complementarmente, no ano letivo 2019/20, teve início um conjunto de sessões de formação pedagógica para alunos que contaram com uma forte adesão e onde os estudantes mostraram grande proatividade na sugestão de temáticas que gostariam de ver abordadas e que consideravam importantes para o seu percurso académico e profissional.

No âmbito da melhoria da qualidade e eficiência dos meios colocados à disposição dos estudantes, foi implementado na biblioteca o novo sistema de gestão KOHA e, com o objetivo de proporcionar cada vez melhores condições de estudo e de trabalho na Biblioteca, os espaços de sala de estudo e de leitura foram reorganizados e o horário de funcionamento alargado, indo assim ao encontro das necessidades dos utentes. 

Foram ainda criadas novas salas de estudo nos edifícios C, E, G e M com ampliação de horário de funcionamento, proporcionando assim condições de estudo, no ISEL, a um número crescente de alunos.

Mas para falar dos nossos alunos temos necessariamente de abordar as suas dinâmicas próprias, em particular nas ações dirigidas pela Associação de Estudantes do ISEL (AEISEL). Neste particular não é demais destacar a forma exímia como as diversas direções da AEISEL têm assumido as suas funções na defesa dos melhores interesses de todos os alunos e com uma postura sempre construtiva e de permanente diálogo.

 

A importância de projetos transversais que envolvam a comunidade é fundamental para o desenvolvimento de competências e fomento da coesão. Que projetos podemos identificar no ISEL como mais relevantes para estes objetivos?

Em termos de projetos transversais existe uma referência que se impõe - o projeto ISEL Formula Student (IFS), uma bandeira do ISEL que atrai anualmente alunos de uma diversidade de áreas, constituindo um motor de desenvolvimento multidisciplinar que confere um grande de enriquecimento aos seus participantes. O IFS conseguiu autonomizar-se e crescer. Temos apoiado este projeto com especial atenção, mas sem nunca pôr em causa a sua autonomia que é um fator essencial ao seu desenvolvimento – é um projeto de alunos para alunos. Há ainda também a salientar o projeto ISEL Solar Racing, envolvendo a construção de um carro solar que tem participado em diversas competições.

Com o objetivo de fortalecer a identidade do ISEL e a coesão interna, bem como dar resposta a solicitações de docentes e estudantes, foi criada, em 2018, a Oficina Digital (ODI), um projeto colaborativo do ISEL dedicado à comunidade maker. As principais áreas de interesse são a fabricação digital, a impressão 3D, a robótica educativa, a eletrónica criativa, a computação física, entre outras. Este projeto é dinamizado atualmente por uma equipa regular de 10 docentes e alunos do ISEL e tem recolhido um interesse crescente por parte da comunidade. Aos objetivos iniciais da ODI juntaram-se a implementação de ações de responsabilidade social e interação com a comunidade estudantil circundante do ISEL.

Em particular, através do protocolo estabelecido com a Associação Raízes, mais concretamente no âmbito do projeto Escolhas, a ODI tem promovido a inclusão social de crianças e jovens de bairros abrangidos pelo Programa Especial de Realojamento, sendo a maior preocupação o seu percurso escolar. Os jovens em causa frequentam a escola Pintor Almada Negreiros, tendo altos níveis de insucesso escolar. Pretende-se que estes jovens desenvolvam peças de arte utilizando várias técnicas e conhecimentos e que também recorram à tecnologia - impressão de partes da peça concebida, em 3D, conteúdos multimédia, realidade aumentada.

É também fundamental deixar uma palavra de reconhecimento para o papel importantíssimo que a Estudantina Académica e da Tuna Feminina do ISEL têm junto dos estudantes e na projeção que proporcionam à instituição sempre que a representam.

 

Depois de concluírem a sua formação no ISEL os alunos mantêm uma ligação à instituição, pelo menos em termos afetivos. Considera que esta ligação se tem reforçado ou tende a perder-se com o tempo?

Quando nos referimos à comunidade do ISEL englobamos todos os que têm ou que tiveram uma ligação com a instituição numa fase da sua vida. Porque essa ligação foi seguramente marcante então a relação que persiste é necessariamente forte.

Para consolidar este vínculo é fundamental dar expressão concreta a todas essas ligações e valorizar a relação do ISEL com a sua comunidade. Em particular, foi dada atenção particular à relação com os antigos alunos da instituição através da criação da rede AlumnISEL e na dinamização de diversas iniciativas nesta área. Os encontros da rede AlumnISEL foram um enorme sucesso e tiveram uma adesão impressionante. No primeiro encontro, em 2018, foi inaugurada a nova cantina do ISEL que tem condições excelentes para este tipo de eventos. A organização do ciclo de “Conversas com Alumni” contou com a dinamização de sessões nas áreas de Civil, Informática, Eletrotecnia, Química e Mecânica, permitindo aos atuais alunos do ISEL terem contacto com a experiência e os percursos de profissionais dos nossos alumni.

E não poderia deixar de referir a opção tomada em homenagear sempre um antigo aluno na sessão solene do ISEL. Um dos momentos altos desta cerimónia foi a presença do Engº Fernando Santos em 2016, logo após termos sido consagrados campeões europeus de futebol. E depois o Engº Fernando Silva, em 2017, o Engº António Laranjo, em 2018 e o Engº Jorge Rosa, em 2019. Os alumni são, de facto, um dos grandes ativos do ISEL e devem ser integrados, cada vez mais, nas dinâmicas da instituição.


Quais os aspetos que considera terem sido menos conseguidos durante este ciclo de 4 anos?

Em termos de iniciativas que tenham tido resultado diferente do esperado eu destacaria, em primeiro lugar, a tentativa de reformulação pedagógica dos cursos. Sendo uma prioridade da direção promover a qualidade do ensino e a redução do abandono escolar, houve uma tentativa de adaptar o modelo de funcionamento dos cursos, de forma gradual, para ajustar o número de horas de contacto e uniformizar alguns aspetos, entre os quais o número de ECTS das unidades curriculares (fixando em 3 ou 6 ECTS para as áreas científicas base). Foi um processo que resultou de vários meses de reuniões, desde novembro de 2018 a fevereiro de 2019, com os diversos intervenientes, incluindo os alunos que se mostraram muito empenhados nesta transformação. Queríamos aproveitar o timing da submissão de diversos cursos a acreditação e parecia ser uma oportunidade para o fazer, apesar de nem todos os membros da direção concordarem com esse prazo por o considerarem, ainda assim, curto. A realidade veio demonstrar que existiam aspetos importantes que necessitavam de ser mais aprofundados e consensualizados. Em todo o caso, em termos objetivos, continuo a considerar como determinante a capacidade de adaptação do nosso modelo de ensino à realidade atual, nomeadamente ao nível do número de horas de contacto semanais e na forma como esse tempo é usado, permitindo mais interação nos períodos de aulas e mais trabalho autónomo, obviamente com apoio, por parte dos alunos, em detrimento de modelos ensino excessivamente expositivos.

Um outro aspeto que poderia destacar prende-se com a oferta ao nível das pós-graduações. Se é verdade que os cursos existentes neste domínio conseguiram consolidar a sua posição e até crescer, seria desejável que novas pós-graduações surgissem em áreas eminentes de especialização.

 

A investigação, o desenvolvimento tecnológico e a inovação são áreas associadas a desafios com um forte impacto na sociedade. Quais os desafios que o ISEL enfrenta nestas áreas?

As atividades de investigação, desenvolvimento e inovação são, sem dúvida, um dos pilares fundamentais de qualquer instituição de ensino superior. Desde a sua fundação, o ISEL tem vindo a afirmar-se como uma escola com uma forte ligação à sociedade. Ao nível da estrutura orgânica, existem atualmente 12 centros de estudos/I&D e 9 grupos de investigação, sendo expressiva a participação dos docentes do ISEL em centros ou laboratórios do sistema científico e tecnológico nacional, muitos destes avaliados como excelentes pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).

As atividades de I&D são muito diversas e abrangem desde projetos mais fundamentais até projetos com forte aplicação e envolvimento das empresas. Ao longo destes últimos anos, o ISEL, na qualidade de instituição proponente ou participante, e em parceria com outras instituições e empresas, tem desenvolvido vários projetos através de programas de financiamento nacionais e internacionais, tais como Horizonte 2020 e Portugal 2020.

Em 2019, o ISEL, em consórcio com instituições de investigação, empresas privadas e organismos da sociedade civil, integrou o BUILT CoLAB (Laboratório Colaborativo para o Ambiente Construído do Futuro), que visa desenvolver soluções inovadoras para infraestruturas e edifícios adaptáveis, inteligentes, resilientes e sustentáveis. Este laboratório permitirá concorrer a financiamento específico para desenvolvimento de projetos de I&D. O ISEL integrou o Cluster Mobinov, também em 2019, por forma a alargar a possibilidade de participação em projetos de natureza colaborativa no setor da indústria automóvel, cujo principal objetivo será transformar Portugal numa referência na investigação, inovação, conceção, desenvolvimento, fabrico e teste de produtos e serviços da indústria deste setor.

Ainda numa iniciativa conjunta de docentes do ISEL, foi criado o FIT - Future Internet Technologies com o objetivo de dinamizar a inovação e a transferência tecnológica para a sociedade em áreas como cidades inteligentes, internet das coisas, sistemas de transportes inteligentes, celulares 5G, comunicações veiculares.

Como desafios mais prementes talvez salientasse a implementação de uma estrutura de I&D sólida e eficiente, que consiga dar resposta às necessidades dos investigadores e do ISEL no seu todo.

Também a criação de centros internos de I&D acreditados pelas entidades nacionais será relevante para o ISEL poder ministrar programas de doutoramento no contexto da atual legislação.

E, claro, continuar a expandir a nossa rede de parceiros e estreitar os laços com a indústria, para providenciar os nossos estudantes com mais oportunidades e prover o ISEL com melhores condições de desenvolvimento.

 

Em 2018 o ISEL recebeu no seu campus a Escola Superior de Dança (ESD). Como descreveria a vivência de ter a ESD no campus do ISEL?

As instalações onde funcionava a Escola Superior de Dança (ESD) encontravam-se em elevado estado de degradação o que motivou fortes protestos por parte dos seus alunos, realidade essa que teve uma grande exposição mediática no início de 2018. Neste contexto, no dia 8 de janeiro de 2018, fomos contactados pela Secretária de Estado do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior que estava numa reunião de urgência com os órgãos diretivos do IPL e da ESD. Nesse telefonema, a Sr.ª Secretária de Estado procurou saber se o ISEL poderia colaborar na resolução do problema da ESD, através da instalação provisória no campus do ISEL. Após ponderadas as necessidades concretas da ESD, conjugadas com a disponibilidade de espaços para o efeito, por forma a não causar constrangimentos ao normal funcionamento do ISEL, iniciou-se um processo intenso de reuniões e visitas, tendo-se alcançado um entendimento sobre os espaços que viriam a ser disponibilizados: parte do piso 2 e antiga sala da reprografia, no edifício A, parte do piso -1, sala no piso 0 e piso 4, no edifício C, e o Pavilhão de Cultura e Desporto.

A mudança da ESD para o ISEL ocorreu no mês de fevereiro de 2018 e requereu intervenções nos espaços disponibilizados, nomeadamente com a adaptação para estúdios de dança. Toda esta operação, que foi bastante exigente, envolveu também a transferência das Tunas para o Pavilhão do Estudante, situação que foi acordada com todos os intervenientes, sendo de realçar a pronta colaboração da AEISEL, da Estudantina Académica e da Tuna Feminina.

Para além de termos contribuído para solucionar o problema da ESD, julgo que a opinião geral é de que a vinda da ESD trouxe uma vivência mais rica e plural ao campus.

 

Como avalia a resposta da comunidade do ISEL à situação imposta pela pandemia por COVID-19?

A situação de pandemia por COVID-19 obrigou a uma adaptação sem precedentes por parte de toda a comunidade do ISEL. Em resposta à suspensão das aulas presenciais os docentes e os alunos do ISEL tiveram de se aptar rapidamente à nova realidade recorrendo aos recursos tecnológicos disponíveis para promover a continuidade do trabalho pedagógico.

Nunca antes tínhamos passado por um desafio desta natureza e foi necessário fazer uma adaptação rápida e eficaz de todo o funcionamento ao nível do ensino e dos serviços de apoio.  A resposta de todos foi excecional e o resultado foi, globalmente, muito positivo.

A criação da Comissão de Implementação e Acompanhamento do Processo de Ensino à Distância (CIAPED), formada por elementos da direção e representantes das Áreas Departamentais, permitiu apoiar a implementação da nova realidade pedagógica e dar respostas às várias questões que se iam colocando. Paralelamente, foi feita a monitorização da implementação das aulas à distância e recolhido feedback por parte de docentes e estudantes por forma a ajustar as medidas em curso.

Patente esteve sempre o espírito de entreajuda na comunidade académica, com uma constante partilha de ferramentas, experiências e estratégias sobre a melhor forma de nos adaptarmos a estas circunstâncias excecionais.

Os alunos do ISEL responderam de forma muito expressiva ao inquérito lançado sobre o funcionamento do modelo de ensino à distância, mostrando-se globalmente satisfeitos com este modelo. De salientar que muitos alunos referiram as aulas à distância como um complemento bastante útil, com objetivos específicos, o qual deveria ser promovido mesmo quando retomadas as aulas presenciais.

Para fazer face a este enorme desafio foi fundamental o forte envolvimento dos professores e alunos, o suporte dado pelas áreas departamentais e restantes órgãos do ISEL, na procura de metodologias para que as atividades letivas continuassem a decorrer com qualidade. Os serviços tiveram igualmente um papel determinante para que o ISEL continuasse a assegurar as suas atividades, tendo estes revelado uma grande capacidade de adaptação e uma enorme dedicação de todos os dirigentes e das suas equipas.

Mas em relação à COVID-19 temos agora um desafio muito crítico com a retoma das atividades presencias. Se em março a exigência foi adaptar todo o sistema para funcionamento à distância, agora temos as questões de segurança como a grande prioridade. O ISEL preparou-se em todas as áreas para que existam todas as condições de segurança. No entanto, como é sabido, a responsabilidade individual desempenha um papel fulcral nesta matéria o que implica o comportamento adequado de toda a comunidade, não só dentro do campus do ISEL, mas também em todas as outras dimensões do seu quotidiano, variável esta muito pouco controlável. 

 

Como avalia a relação do ISEL com o Instituto Politécnico de Lisboa (IPL) ao longo destes 4 anos?

A relação entre o ISEL e o IPL nunca foi um tema simples, como se pode constatar facilmente pela relação entre as anteriores direções. O facto de existirem áreas de autonomia e áreas de dependência cria necessariamente zonas que se prestam a potenciais conflitos. No entanto, tentando fazer um balanço, devo referir que não há memória de se ter conseguido tanto como nestes 4 anos em assuntos que requeriam a cooperação dos dois institutos. Entre variadíssimos exemplos posso destacar a instalação de vídeo projetores que foi realizada em todas as salas de aula, ocorrida em 2017, e mais recentemente, a importante obra que está em curso para reabilitar o piso 0 do edifício F.

 

A terminar esta entrevista, que mensagem final gostaria de deixar à comunidade?

Entendo que o balanço de um ciclo inclui necessariamente um grande e sentido agradecimento a todos os que contribuíram ativamente para a construção de um ISEL maior e melhor e que acreditaram que era possível construir um projeto diferente na forma e na substância. Em particular quero agradecer a toda a equipa da direção com quem tive o privilégio de trabalhar diariamente. Ao Ricardo Felipe, ao Eduardo Eusébio, à Lucía Suárez, à Cristina Borges, ao Pedro Silva, ao João Gomes, ao Jorge Mendonça e Costa, ao José Nascimento, ao Arnaldo Abrantes, e também à Fátima Piedade, quero agradecer por todo o profissionalismo, dedicação e entrega aos constantes desafios deste exigente mandato.

Sempre com o apoio constante do secretariado da presidência, dos dirigentes dos serviços, gabinetes e unidades complementares e de todos os funcionários não docentes, cujo papel é tão essencial ao bom funcionamento da instituição.

Uma palavra de agradecimento, também especial, para os presidentes das áreas departamentais, bem como a todos os docentes e funcionários não docentes.

Fundamental também é agradecer a todos os nossos alunos pela forma como interpretam o sentimento de pertença a esta imensa comunidade coesa e determinada como é a do nosso ISEL e aos nossos alumni.

O ISEL é um espaço de abertura, inclusão, determinação e participação coletiva, onde cada um deve conseguir contribuir com o seu melhor em prol da instituição, que continuará a promover o seu modelo de crescimento e desenvolvimento rumo ao patamar de excelência para o qual todos continuaremos a trabalhar.