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Seminário de Física - Fusão Nuclear Controlada

Seminário de Física - Fusão Nuclear Controlada

No dia 26 de fevereiro, o Departamento de Física do ISEL promove o seminário "Fusão Nuclear Controlada".

O evento, que decorrerá pelas 14h00 no Auditório A, terá como orador Horácio Fernandes (Departamento de Física e Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear - Instituto Superior Técnico).
 

Abstract:

A fusão nuclear controlada é hoje uma solução tecnicamente alcançável e amplamente reconhecida como uma das soluções mais promissoras para a produção de energia limpa, segura e sustentável a longo prazo.

Ao contrário da cisão nuclear, atualmente utilizada nas centrais nucleares comerciais, a fusão nuclear baseia-se na combinação de núcleos atómicos leves, tipicamente isótopos do hidrogénio como o deutério e o trítio, originando núcleos mais pesados e libertando grandes quantidades de energia dada a perda de massa dos produtos da reação, de acordo com o princípio da equivalência massa-energia.

Apesar das reações em vista na terra serem ligeiramente diferentes das estelares, este processo é idêntico ao que alimenta o nosso Sol, apresentando vantagens significativas sobre a generalidade das restantes fontes de energia na terra, nomeadamente a ausência de emissões diretas de dióxido de carbono, a produção limitada de resíduos radioativos de longa duração e um risco intrinsecamente reduzido de acidentes catastróficos.

Este seminário apresenta uma visão geral dos princípios físicos fundamentais da fusão nuclear, abordando as condições necessárias para a sua ocorrência. São discutidas as principais abordagens tecnológicas atualmente em desenvolvimento, com destaque para o confinamento magnético, particularizando para o ITER, o maior tokamak actualmente em construção e exemplo duma profícua colaboração internacional.

Será dado foco nos principais desafios científicos e de engenharia que ainda limitam a viabilidade comercial da fusão, incluindo o controlo de instabilidades do plasma, o desenvolvimento de materiais capazes de resistir a fluxos intensos de neutrões e a produção de trítio no próprio reactor. Discute-se finalmente o papel potencial da fusão nuclear no futuro mix energético global, sublinhando a sua importância estratégica na transição para sistemas energéticos de baixo carbono.

Seminário Física Horácio Fernandes

Imagens ITER